Vencer o aquário… rumo ao mar

Começa com um dia perfeito de sol. Os risos e os sons habituais do mundo.

De repente é difícil respirar.

Um aperto no peito, uma inquietação nas mãos, um fraqueza de alma que me deixa a tremer.

E não se sabe de onde veio nem quando acabará.

Há apenas um bater descompassado do coração, que se impõe a todos os sons.

É então que faço o tempo abrandar uns segundos. O espaço estabiliza comigo ao centro, pernas afastadas para sustentar, raízes profundas a penetrar a terra.

Respiro uma e outra vez, bem fundo. Dói um pouco expirar, a princípio. Mas insisto um pouco mais.

Às vezes uma espada e um escudo se desenham nas minhas mãos. Endireito as costas, sinto uma força nova a percorrer a minha coluna vertebral, como um pequeno choque elétrico.

Imobilizo a minha mente e o meu coração no mesmo círculo seguro. O aqui e o agora, a margem segura do meu pânico.

Recuo do abismo e recalibro a bússola.

Dou um passo. E depois outro.

Eu sou capaz. Ainda continuo aqui.

E o milagre se ergue de novo sobre duas pernas.

À conquista de mim mesma.

Vitoriosa.

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