Largar a mão do desejo

Olha a gota da chuva cravando sulcos na pedra rochosa.
Olha o frágil junco, dobrando sem partir à passagem do tempo.
Olha a felicidade a aparecer devagarinho e a fugir pela janela.
Olha as estrelas a nascerem no quintal.
Eis os impossíveis a fazerem-se possíveis na palma da mão.

E, ainda assim, há uma tristeza no fim dos dias, um cansaço terrível na Alma.
Porque queremos sempre mais, queremos o silêncio e ruído, a abundância e paz, o amor sem perda. Queremos o impossível, e suspiramos por ele no amanhã que nunca chega.

Ah, olha a criança a brincar na neve. O cachorro a apanhar a chuva. O caracol num afã de verdes folhas. O mundo é para eles uma impossibilidade a cada segundo. E suspira o agora, largando a mão do desejo.
E sê tudo o que é possível ser. Agora. Simples assim.

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