Amor Quântico para Patetas

Há sempre tempo para olhar o mundo.
Há formigas que levantam mil vezes o seu peso numa pequena folha.
Há pedras grandes e lisas como a lua.
Há praias de infinitos grãos de areia.
Há ondas que se desfazem com violência apaixonada sobre as rochas.
Há ventos suaves que cheiram a comida quente das avós.
Há tempo longínquo e tempo que ainda está por vir.
E há este amor novo e eterno, como um pequeno pássaro no peito, um bater de asas tão rápido, que parece que se imobiliza sobre as flores.
Há sempre tempo para sentir este amor, uma força inominável.
Quero falar, mas são palavras.
Quero gritar, mas é apenas barulho.
Quero mostrar, mas é apenas um gesto obscuro.
Então, vou deixar-me somente sentir. E, sentindo, é como se uma estrela nascesse aqui no meu peito sempre que inspiro, e outra estrela implodisse no meu íntimo quando expiro. É um Amor sem nome, é uma força sem tempo nem espaço.
E agora, quando me deixo aqui na esquina do mundo a contemplar os que amo, sei o que Universo me olha na sua consciência omnipresente. E eu sou esmagada pela verdade impossível de existir.

É Amor, é o Big Bang no meu coração, uma e outra vez.

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Ser feliz é ser pequenino

Nestes tempos, é a vez do urso solitário dormir. Retira-se o lobo das estepes para a gruta tranquila.

Não há mais lugar ao branco grande e gelado das neves, das estepes longínquas onde vagueava só.
Não há mais espaço às florestas escuras, aqui dentro e debaixo dos pés, intermináveis e sombrias.

E à vezes lembro-me desse tempo, do urso e do lobo, e fico grata por renovar todas coisas, finalmente.

Agora, é o tempo da luz intensa, do cão fiel e alegre, do gato lânguido nas varandas, do pequeno pássaro a namorar as flores.
Este é o tempo do Amor Imenso, aquele que explica as galáxias a afastarem-se, as estrelas a nascerem, o cantar do mar dentro dos búzios. E então, é um sentir inexplicavelmente silencioso! É uma alegria pura ao entardecer, naqueles segundos em que se descobre o primeiro passo, a primeira gargalhada, a primeira palavra. É o tempo da descoberta dos desfiladeiros íngremes, dos mares salgados, dos vulcões submarinos. Descobrimos juntos a inocência de nascer de novo, de nos revestirmos da matéria bruta de que somos feitos, humanos ignorantes e perfeitos.

Pensava nesta altura contar ao mundo do nosso amor recém nascido.
Mas este amor é pequenino e tímido como qualquer coisa neste mundo que agora começa a ser. Esta alegria de existir é plena aqui dentro, é um sentir tão íntimo… são as luzes do norte a dançarem nos céus escuros.

E tudo acontece cá dentro, e lá fora, apenas um breve restolhar das folhas a partirem-se, da água a borbulhar sobre as rochas, das campainhas das flores sob a brisa.

Mas nós sabemos ter borboletas cá dentro. E que a alegria é íntima e apenas contamos às estrelas e às flores como somos felizes. E é para sempre.