Mar Cósmico

Um dia, ou uma noite assim como esta, anónima e inocente dos destroços da vida, dei por mim calada, ouvindo o silêncio e a multidão cá dentro. Tentava silenciá-la, entregá-la aos dias, idos e livres.

Sentei-me quieta no último banco, junto à porta de saída. E virei-me para dentro, procurando fundir-me no espaço e nas coisas.

E avancei para o profundo do mar. E os meus limites se tornaram ténues, as minhas fronteiras se dissolveram e uma noite de mar cósmico me envolveu. O leito cálido e quente da Mãe, o abraço escuro e imenso do Pai.

Na imensa noite do início dos Tempos, o Eu e todos os Eus se dissipam. Eu sou o próprio Universo, parte de algo maior, e sou esse Maior, Profundo, Eterno. As vozes, as dores e as coisas pesadas são agora poeiras neste mar imenso.

Estou aqui, estamos aqui, desde sempre e para sempre.

Depois de vislumbrar a noite escura de Deus, esse lugar ficou indelevelmente tatuado no meu ser. A esse lugar eu chamo de Casa e tenho saudades dele.

Que importa tudo isto, a dor, a morte, o tempo e a sorte? Um dia regresso a essa Casa, ao Mar Cósmico da Consciência. E me dissolvo e me completo, sou tudo e todos.

No Mar cósmico todas as coisas se renovam, e se completam.

Bom Mergulho.

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