A arte de saber esperar de mãos vazias

Há em tudo o que existe um ser pequenino em camadas. Como um botão de flor, dobrado em si mesmo em um milhão de pétalas, guardando um segredo impossível. A realidade das coisas às vezes é crua e simples, cada coisa é o que é, mas isso às vezes não basta. Pressentimos o palco maior onde tudo se inscreve; o ruído de fundo do Universo que nos faz por vezes perder o chão, por ser tão imenso. Aí vivem todos os porquês do mundo, toda a ordem, todo o sentido. E é tão difícil apreender este fundo essencial, esta consciência maior, esta vastidão de galáxias distantes do centro da Terra. 

E, quando as marcações da realidade nos trocam as voltas, quando tudo está certo até onde podemos sentir, e tão pronto, que nos sentimos à beira de uma grande mudança, como uma onda imparável e, mesmo assim, tudo se imobiliza, temos de nos entregar ao abismo sábio, à vontade ancestral da Natureza. 

Entregar ao que tem de ser. Sem fazer perguntas, com as mãos vazias e de coração cheio, esperar. E confiar no que parece vazio, apenas porque não compreendemos. E vai tudo ficar bem. 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s