A arte esquecida de ler poemas

Hoje li um poema. Todo, integral, até ao fim. E há quanto tempo não lia estas palavras musicadas ao som do coração, doces como os desejos gulosos do corpo, tempestuosos como as lágrimas feitas ondas rebeldes. É preciso espaço aqui dentro para ler um poema. Desenrolar a sua cadência debaixo da língua, desdobrar os trocadilhos e descobri-los sem manha, nas esquinas de sombra. Sentir que se vive outra vez, apesar do barulho dos dias quase sempre iguais, porque afinal o sol nasce sempre do outro lado do mar. É preciso ler poemas. É preciso ver uma flor a desabrochar. É necessário sentir a gota de chuva a caminhar como um caracol no vidro. É assim que cai o tempo na alma, com sentido e com peso.
Não esquecer que se vive. Não abafar em controlo das coisas, sufocando o sentir.
Hoje, leiam um poema. Ouçam uma música bonita. Hoje, vou dar um beijo com barulho e saliva nos meus amores. E devagar, desfrutando, vou sentir a sua presença, o seu fôlego doce, a sua maravilhosa existência em mim. E vou sorrir. É tão bom estarmos vivos.

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