Memória póstuma

Folhas de papel branco, espalhadas em cima da cama.
Memórias a tinta indecifrável, que mancham os lençóis,
A dor fixa na pele, como tatuagens a negro.
E ao fim do dia, sou eu e a minha voz aqui dentro.
Houve um tempo em que tu eras este céu, pontos luminosos e inatingíveis,
Na minha noite escura, riscada com a luz do meu amor.
Ensinei-te sobre as montanhas.
Ensinei-te sobre o segredo da noz macia, sob a dura casca.
Ensinei-te sobre tudo e esqueci-me de mim.
De aprender sobre a minha montanha, sobre o meu mar.

Como ensinar as montanhas a crescerem para a terra?
Como ensinar o sol a nascer sobre o mar?
Não consigo fazer-te amar-me. Tal como não se consegue ensinar uma borboleta a nadar.
Vou parar de fazer os dias andar ao contrário.
Vou contar a minha história tal como ela é:
Com as montanhas viradas para o céu,
E o sol a pôr-se do lado do mar.

E serei eu. Assim, da minha maneira simples, de ser o que se é.

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