Imagina Dragões

E, tempos depois, perante um deserto grande frio, com pedras lisas e alvas como a lua, que ficou lá trás, eis que nasce um dia brilhante, em que a nossa estrela é a mais alta no céu.

Não interessa se ainda é de dia, se a noite ainda não desceu, se os nossos olhos ainda não se acostumaram com esta luz cega, que rasga o véu da realidade.

Não interessa se temos medo, não da noite ou do frio, mas da luz de milhões estrelas, porque não parece possível ser feliz outra vez.

Não interessa de somos humanos a fingirem ser deuses.

Não interessa, na verdade, porque somos dragões brilhantes a passearem este céu escuro, de caudas entrelaçadas, cuspidores de fogo e de outras mágoas… Somos dragões a mostrar as árvores e as flores ao nosso filho. Somos reis e senhores no trono desta dor antiga, e por esta dor e desgostos, brilhamos hoje num fulgor imenso.

Imagina-nos, dragões brilhantes cruzando os céus, sobre as cabeças dos demais, que procuram cegos e surdos um Amor assim, desmesurado e eterno.

Imagina dragões que ousam tecer redes e, com elas, pescar estrelas para iluminar o coração.

E, pecado maior, imagina sermos felizes outra vez….

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