A teoria de Tudo

Não sabia que serias assim, grande, sólido e transparente, derramando-se em todos os espaços, como uma luz intensa que banha até ao íntimo.
Não sabia que assim que te visse, em ínfimos gestos que quase agitam nenhum ar, tornar-me-ía mole e líquida como lava fumegante que sulca irremediavelmente a rocha firme.
Não sabia que jamais voltaria a pertencer a lugar algum, que não ao espaço exato que ocupas, a minha medida seria o limite da tua existência, o meu tempo para sempre contado a cada suspiro teu, imobilizando-se a cada bater do teu coração.
Não sabia, porque não concebia tal saber, tal estória impossível narrada ao infinito, ao pormenor de cada poro da tua pele acetinada, de cada cabelo em curva dourada contra o sol.
Não sabia que seria assim, imenso, dolorosamente feliz e pleno.
Não sabia até ao momento em que ele me atinge, a sua força como uma vaga que se enrola na areia, hipnotizando o olhar e enchendo o coração de temor.
Não sabia que amar é uma palavra apenas e isto… Isto é uma força insondável do universo, que quero agarrar e guardar, qual pequeno veado indefeso acabado de nascer.
E não posso, não posso agarrá-lo, nem prendê-lo, ou guardá-lo. Só posso sentir. E deixar viver. E consumir-me nele, até ao fim, até sempre, meu amor pequenino.

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