Deixar afundar as pedras

Já esqueci as esquinas, as palavras, os lugares.
Já esqueci de que cor se pôs aquele dia,
Qual de nós se fez mudo e surdo
E desde quando e onde, nos tornámos às avessas
Um do outro, divorciados do mundo e de nós mesmos.

Já me esqueci do tempo em que não éramos estranhos,
Estrangeiros na nossa própria casa.

Esqueci, porque é demasiado vermelho, alto e longínquo
Para me lembrar,
Porque ficaram apenas fantasmas e sombras
De tudo o que vivi e senti.

É melhor assim, porque nada restou sem mácula.
Se é para lembrar com mágoa, mais vale deixar morrer.

Desejo apenas não me encontrar, mais tarde,
Com tudo o que fez ferida aqui dentro,
Devolvido com violência, como um espelho.
Como uma esquina desconhecida.

Desejo caminhar de novo, com o velho lá trás
E o novo à frente, como uma luz inaugural.

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